Organizações negras fizeram uma avaliação positiva da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília (DF). O encontro reuniu cerca de 1.600 delegados – entre sociedade civil, empresários e Poder Público – que tiveram a oportunidade de discutir o tema “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”. No conjunto de aproximadamente 6 mil propostas enviadas pelos estados, os grupos de trabalho e a plenária final acolheram as principais demandas dos movimentos sociais que militam no campo da igualdade racial.
Além de encaminhar resoluções oriundas da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II Conapir) referentes ao tema da Confecom, entre as principais propostas aprovadas estão: a aplicação das diretrizes estabelecidas no Plano Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Planapir) e na Conferência Mundial contra o Racismo (Durban, 2001); a adoção de ações afirmativas na mídia; a realização de censo étnico-racial nas empresas do setor; a participação negra na composição de um futuro Conselho Nacional de Comunicação; a criação de um observatório para questões raciais; a inclusão de critérios que contemplem os quilombolas nas concessões de radiodifusão, e a destinação de parte das verbas do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fuste) para o financiamento de projetos voltados à juventude negra.
Na avaliação dos representantes da Articulação Enegrecer – uma iniciativa de lideranças das Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojiras) – a Confecom representou um avanço. “Apresentamos cerca de 80 propostas e demonstramos que a população negra não só está interessada, como preparada para discutir políticas públicas de comunicação. No pós-conferência o desafio é monitorar o cumprimento das diretrizes traçadas”, avalia Juliana Nunes, jornalista, delegada que representou a Cojira do Distrito Federal.
Marco Antonio Pires Lima, um dos integrantes da delegação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) à Confecom, observou que o evento foi estruturado para favorecer a exposição dos mais variados pontos de vista e, principalmente, o diálogo entre os segmentos sociais. “Portanto, o produto da Confecom reflete o que pensa a sociedade, com suas diferenciações e contradições”, acrescenta.
Ebonmy Conceição participou da Confecom na condição de observadora, a partir de indicação do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR). Ela destacou que teve a oportunidade de conversar com vários empresários e perceber que hoje eles já admitem a exclusão a que está submetido o povo negro. “Mas conseguimos emplacar muitas propostas sobre a intolerância e o desrespeito contra os praticantes de religiões de matriz africana. Pela primeira vez na história, o povo de santo, do candomblé e afins estão tomando assento político num debate tão importante quanto é o da Comunicação”, ressaltou.
A SEPPIR utilizará as deliberações da 1ª Confecom para subsidiar as ações do Grupo de Trabalho de Comunicação, que está em processo de formalização, conforme reivindicação de comunicadores negros apresentada na II Conapir.
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fonte: Comunicação Social da SEPPIR /PR

